Não é nenhuma novidade que o Brasil esteja entre os países mais desiguais do mundo. Nos últimos anos, tem havido uma melhora no índice Gini, utilizado pela ONU para mensuração da distribuição de renda, mas nada que mude na prática a realidade do brasileiro, fazendo o Brasil figurar entre os 5% de países mais desiguais desde que essa análise é realizada.
A distribuição de renda de uma região impacta diretamente nos hábitos e comportamentos da população, em diversos pilares, que podem estar correlacionados ou não. Debruçando-se sobe essa área de estudo, dois pontos controversos chamam a atenção:
- O número de ONG’s é mais do que o dobro de bares no Brasil:
Trabalhando por vários anos na maior cervejaria do Brasil, sempre fiquei impressionado no meu dia a dia com o número de bares por todo o território brasileiro. Por menor ou mais remoto que fosse o lugar, sempre existia um bar em algum canto. Agora, imagine que estão registradas mais do que o dobro de ONG’s, em relação a bares no Brasil. Isso é gigante!
A realidade é que, quanto maior a desigualdade na distribuição de renda de uma sociedade, maior será a exposição dos grupos em situação de vulnerabilidade. Para suprir a insuficiência dos órgãos públicos que atuem sobre o problema, a sociedade civil passa a se organizar em instituições privadas, sem fins lucrativos, atendendo causas específicas, fazendo que o terceiro setor no Brasil seja gigante em número de iniciativas e com contínua tendência de crescimento. E recursos para todas essas ONG’s, vem de onde?
- Demora-se, em média, 9 gerações para uma família migrar da classe de baixa para média renda no Brasil:
Diante da dura realidade de quem se encontra nas camadas economicamente menos favorecidas, a “vontade de vencer” se manifesta de várias formas, como por exemplo, no empreendedorismo criativo, na participação ativa em movimentos sociais e na música, onde ecoam os anseios de uma vida melhor, como frequentemente evidenciado no Trap, gênero que merece destaque porque foi o que mais cresceu no último ano no Brasil.
Tal anseio pelo rápido enriquecimento individual também se reflete nos hábitos de consumo, destacando-se o rápido crescimento das operações de apostas esportivas, mercado que vem mais do que duplicando de tamanho, ano após ano desde 2020, e que hoje movimenta anualmente mais de R$ 100.000.000,00 (cem bilhões de reais). Mas isso não é algo novo. Vale destacar a já tradicional Mega-Sena da virada, que mesmo com a conversão cambial desfavorável para o Real, está entre as 10 maiores do mundo, fora outros produtos tradicionais do mercado da sorte, como a Tele Sena, que faz parte da cultura popular.
Como conectar dois comportamentos tão controversos: o anseio e a vontade pelo enriquecimento próprio, versus iniciativas filantrópicas, com o objetivo de defender uma causa e lutar pelo bem coletivo, ainda que pareçam caminhar em direções opostas?
A legislação brasileira prevê uma interessante ferramenta financeira para a arrecadação de recursos para diferentes finalidades, incluindo a destinação a entidades filantrópicas: os Títulos de Capitalização. Esse instrumento se utiliza de premiações como estímulo para arrecadação e acúmulo de recursos, a exemplo da poupança individual (o famoso PIC do Itaú) ou a compra programada (o famoso Baú da Felicidade). São 6 diferentes modalidades de emissão de Títulos de Capitalização, completamente legalizados e regulamentados pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), operantes há décadas no Brasil.
Quando falamos da modalidade de Filantropia Premiável, essa já se tornou a principal fonte de recursos para instituições filantrópicas, destinando mais de R$ 1.500.000,00 (um bilhão e meio de reais) no último ano para entidades beneficentes. Porém, esse método parece ter ficado parado no tempo, sem atualização dos operadores e sem atratividade das premiações para o consumidor moderno, ainda utilizando canais de venda e distribuição tradicionais e estratégias de comunicação e publicidade defasadas.
Isso é um problema ou uma oportunidade? Pense comigo: como se alugava um filme há alguns anos, sem a Netflix? Para tomarmos como exemplos, temos ainda as startups brasileiras – como eram feitos os pedidos de delivery alguns anos atrás, antes da iFood? Como se alugavam, compravam e vendiam imóveis antes da Quinto Andar? Qual era a rotina para operações bancárias antes de Nubank?
Em todos os casos citados, existe a mesma causa-efeito em comum, essas startups brasileiras renovaram processos e estruturas já validadas através de tecnologia, focando em como tornar a experiência do consumidor mais lúdica, fluída e divertida. E não são só as grandes startups no Brasil que crescem, o mercado de infoprodutos é líder em crescimento no último ano.
Chegou a hora de revolucionar o mercado da filantropia, transformando capitalização em entretenimento através da tecnologia!
Vinícius M. Ianuskiewtz – Chief Executive Officer iLotto Tecnologia